Os jogos de Super Nintendo mais disputados nas locadoras brasileiras eram Super Mario World, Donkey Kong Country, Top Gear, Street Fighter II, International Superstar Soccer Deluxe e Super Bomberman. Se você chegava no sábado depois das dez, um desses já tinha saído. A lista completa, com opinião e muita saudade, está abaixo.
A locadora era um ritual. Você entrava, olhava as capas atrás do balcão (ou as caixas vazias na prateleira), perguntava “o Donkey Kong tá aí?” e ouvia “saiu ontem”. Levava outro, chegava em casa, soprava o cartucho e descobria que alguém tinha apagado o seu save, ou pior, que o save de outro estava lá, muito mais avançado que o seu.
Como o Super Nintendo chegou às locadoras
O Super Nintendo saiu no Japão em 1990, e no Brasil ganhou distribuição oficial com a Playtronic, criada em 1993 por Gradiente e Estrela para representar a Nintendo por aqui. Com cartucho caro, alugar virou o jeito mais comum de conhecer jogo novo. Muita locadora também deixava jogar no próprio balcão, por hora.
10. Mega Man X (1993)
O Mega Man ganhou cara nova, armadura e a possibilidade de escalar paredes. A primeira fase, com a estrada destruída e o robô gigante, é das melhores aberturas da época. Era aluguel certo para quem gostava de desafio, e a gente passava o fim de semana tentando achar o upgrade do Hadouken escondido.
9. Mortal Kombat (1993)
Aqui vai uma curiosidade que mexe com a memória: a versão de Super Nintendo do primeiro Mortal Kombat trocava o sangue por um líquido cinza, que a turma apelidou de “suor”. Já a versão de Mega Drive tinha um código que liberava o sangue. Isso gerou a primeira grande briga de console da nossa infância. Mesmo assim, MK de SNES saía muito.
8. Goof Troop (1993)
O jogo do Pateta e do Max, da Capcom, tinha um segredo que pouca gente sabia na época: foi dirigido por Shinji Mikami, que anos depois criaria Resident Evil. É um jogo de puzzle cooperativo para dois jogadores, perfeito para irmãos dividirem o controle sem brigar (muito).
7. Chrono Trigger (1995)
O RPG feito pelo “time dos sonhos” (o criador de Final Fantasy, o criador de Dragon Quest e Akira Toriyama, de Dragon Ball, no visual) era o aluguel mais ambicioso. Em inglês, sem tradução, muitos de nós aprendemos palavras novas jogando. O problema? Um RPG longo e um aluguel de dois dias. Quantos saves de Chrono Trigger foram apagados pelo próximo cliente?
6. The Legend of Zelda: A Link to the Past (1991)
Outro jogo longo que pedia vários aluguéis. A descoberta do Dark World, o mundo sombrio que aparece no meio da aventura, foi das maiores surpresas da época. É o tipo de jogo que fazia você pedir o mesmo cartucho três fins de semana seguidos.
5. Super Bomberman (1993)
Com o adaptador multitap, até quatro amigos jogavam juntos. Era a festa de aniversário em forma de cartucho. O modo batalha acabou com mais amizades do que qualquer outro jogo, e as reconstruiu no domingo.
4. Street Fighter II (1992)
A versão para Super Nintendo levou o fliperama para dentro de casa. Era o jogo para treinar o Hadouken com calma, sem gastar ficha e sem o “dono da máquina” olhando. E os combos? Eles nasceram de um possível bug, como contamos em bugs que viraram lenda nos games. Para quem quer reviver isso no cinema, o filme de Street Fighter estreia em 15 de outubro.
3. International Superstar Soccer Deluxe (1995)
O futebol da Konami era rei no Brasil. Os jogadores tinham nomes inventados, porque o jogo não tinha licença, mas todo mundo sabia quem era quem. Campeonato na locadora, final contra o irmão mais velho, gol de bicicleta comemorado como Copa do Mundo: ISS Deluxe era tudo isso.
2. Top Gear (1992)
Se existe um jogo de Super Nintendo com cara de Brasil, é Top Gear, da Kemco, desenvolvido pela britânica Gremlin Graphics. A tela dividida para dois jogadores, os carros coloridos e principalmente a trilha sonora de Barry Leitch fizeram dele um clássico. Tente ouvir a música da primeira pista sem sentir o cheiro de locadora. Impossível.
1. Donkey Kong Country (1994)

Quando Donkey Kong Country chegou, parecia que o Super Nintendo tinha ganhado um upgrade. A Rare usou gráficos pré-renderizados em computadores poderosos para criar um visual que ninguém achava possível no console. Somado à trilha de David Wise, era o jogo que todo mundo queria e que nunca estava na prateleira.
Opinião: é o nº 1 porque era o mais disputado. Era o jogo que fazia a gente acordar cedo no sábado só para chegar antes dos outros.
Menção honrosa: Super Mario World (1990)
Ficou fora do ranking por um motivo: muita gente nem precisava alugar, porque ele vinha junto com o console. Mas não dá para falar de Super Nintendo sem lembrar da estreia do Yoshi, da capa amarela e das fases secretas da Star Road. E também de Super Mario Kart (1992), que transformou toda sala em pista de corrida.
O drama do save apagado
Muitos cartuchos tinham uma pequena bateria interna para guardar o progresso. Como o mesmo cartucho passava por dezenas de casas, as poucas vagas de save viravam território disputado. Tinha gente que apagava o save dos outros por maldade, tinha quem deixava o jogo zerado para o próximo se exibir. E tinha a dor de alugar Chrono Trigger e encontrar o seu arquivo… sobrescrito.
E hoje?
A locadora quase sumiu, mas a memória ficou. Se você também cresceu entre cartuchos e fichas, vai gostar de o Mew debaixo do caminhão e outras lendas de Pokémon, a versão Game Boy dessas histórias de recreio. E para quem quer reunir os amigos no sofá de novo, separamos os melhores jogos cooperativos locais para PC.






