Enquanto a Sony anda rumo ao fim dos discos, a Nintendo fez questão de dizer o contrário, e disse isso no Brasil. Em entrevista a Rodrigo Coelho, do canal Coelho no Japão, gravada na BGS 2026 e publicada no domingo (11/10), Bill van Zyll, vice-presidente e gerente-geral da Nintendo para a América Latina, foi direto: “Não há planos de nos livrarmos do físico. Sabemos o quanto os fãs também gostam disso.” A fala foi registrada pelo LAG XP e repercutiu lá fora no Polygon.
Parece vitória fácil da Nintendo. Só que a frase tem um asterisco do tamanho de um cartucho, e ele se chama Game-Key Card.
Resumo rápido: a Nintendo diz que vai continuar com jogos digitais e físicos no Switch 2, e que o físico é mais forte no Brasil e na América Latina. A Sony anunciou em 1º de julho que para de fabricar discos de jogos novos em janeiro de 2028. O porém: no Switch 2, parte das caixas traz um Game-Key Card, que é só uma chave para baixar o jogo. No fim do post, montamos um ranking (com opinião) do mais físico ao menos físico.
O que o executivo da Nintendo disse de verdade
Van Zyll explicou que a Nintendo segue o que o consumidor prefere e leva isso muito em conta. Lembrou que o Switch 2 tem pouco mais de um ano de mercado e nasceu com as duas opções, download e cartucho. Na versão em inglês citada pelo Polygon, ele define a posição da empresa como “agnóstica”: nem a favor do digital, nem a favor do físico.
O trecho que mais interessa para quem joga aqui veio depois: “Certamente temos uma tendência maior para a mídia física, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina.” Ele citou três motivos: colecionar, emprestar e revender. E admitiu que a distribuição de alguns cartuchos no Brasil poderia ser melhor, dizendo que a empresa já trabalha nisso.
Sobre a diferença de preço entre caixa e download, segundo o resumo da entrevista feito pelo site japonês Game*Spark, ele explicou que a versão física carrega custos que o digital não tem: o cartucho e o chip, a caixa, a montagem, o transporte e o estoque. Na prática, segundo o Antihype (citado pelo LAG XP), Yoshi and the Mysterious Book custa R$ 329,90 no digital e R$ 439,90 na caixa.

O asterisco: Game-Key Card não é o jogo dentro do cartucho
O Game-Key Card parece um cartucho normal, mas, como a própria Nintendo explica, ele não guarda o jogo. Ele funciona como uma chave: você coloca no console, baixa o jogo inteiro pela internet e precisa deixar o cartão inserido sempre que quiser jogar. A caixa avisa com um selo próprio.
O lado bom é que o cartão ainda pode ser emprestado e revendido, coisa que um código digital não permite. O lado ruim é a pergunta que o Polygon faz sem rodeios: se um dia a loja e os servidores fecharem, como você baixa o jogo? Na prática, o cartão pode virar plástico. Para os desenvolvedores, o formato tem vantagens. O Polygon lembra que Naoki Hamaguchi, diretor de Final Fantasy VII Remake, prefere os Game-Key Cards porque não precisa espremer jogos enormes em um cartucho de 64 GB.
Segundo o LAG XP, o formato aparece principalmente em jogos de outras empresas, e é alvo de críticas por causa da preservação.

Enquanto isso, na Sony
O contraste é o que deixa a história quente. Em 1º de julho de 2026, o PlayStation.Blog anunciou que a produção de discos para todos os jogos novos nos consoles PlayStation acaba a partir de janeiro de 2028. Depois disso, os lançamentos chegam só em formato digital, na PS Store e no varejo. Os jogos lançados em disco antes dessa data não são afetados.
A Sony justificou a decisão dizendo que a preferência pelo digital “supera significativamente” a pelos discos. A notícia dividiu jogadores e até ex-executivos: segundo o LAG XP, Shawn Layden, ex-chefe da PlayStation, criticou a decisão.

O ranking: do mais físico ao menos físico
Opinião da redação, do jeito que a gente compraria, pensando em colecionar, emprestar, revender e jogar daqui a 20 anos:
- Cartucho ou disco com o jogo completo dentro. É o físico de verdade: liga e joga, sem internet. É o que o colecionador quer.
- Jogo completo na mídia, mas com atualização no primeiro dia. Ainda roda sem internet, mas a versão “certa” do jogo depende de download.
- Game-Key Card. Dá para emprestar e revender, mas o jogo mora no servidor. É meio físico, meio digital.
- Código de download dentro da caixa. A caixa é só embalagem: depois de usado, o código não vale nada para o próximo dono.
- Só digital. É prático e às vezes mais barato, mas você compra uma licença, não um objeto.
O nosso placar: a Nintendo ganha no discurso, porque promete escolha justo no mercado onde o físico pesa mais. Mas ainda não ganhou no produto. Enquanto houver Game-Key Card na prateleira, “não vamos largar o físico” vale com asterisco. A Sony, por sua vez, pelo menos foi transparente: avisou com um ano e meio de antecedência.
O que falta saber
- Se a Nintendo vai identificar com mais clareza no varejo brasileiro quais caixas trazem o jogo completo e quais são Game-Key Card.
- Se a distribuição de cartuchos no Brasil vai melhorar de fato, como o executivo prometeu.
- Como a Sony vai lidar com colecionadores depois de 2028. Até agora, não há detalhes sobre edições especiais.
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Fontes: LAG XP, Polygon, Game*Spark, Nintendo, PlayStation.Blog, BBC. Conferido em 14/10/2026.






