O homem que dirigiu Pokémon Scarlet e Violet quer que você lave a roupa da magical girl. Em entrevista à Famitsu repercutida pela Vice, Shigeru Ohmori abriu o jogo sobre Ame Nochi Hare Onna (Rainy Day, Sunny Girl): um free-to-play da Game Freak para iOS e Android, no Japão, neste inverno, em que o clima do mundo real manda no combate — e a lavanderia recupera o poder das heroínas.
Se a frase parece clickbait, respira. É o próprio diretor quem liga a ideia à esposa estendendo roupa.
Resumo rápido: Game Freak publica Rainy Day, Sunny Girl (雨のちハレ女) no Japão neste inverno, free-to-play em iOS/Android. Ohmori é produtor e diretor. Clima real do celular entra no combate; roupa suja = HP; sol seca mais rápido, chuva atrasa. Ainda sem data global.
De Scarlet/Violet para a máquina de lavar
Ohmori passou cerca de dez anos como diretor de Pokémon, de Omega Ruby/Alpha Sapphire até Scarlet/Violet. Depois do fim de Scarlet/Violet, ele quis “formas de expressão que só um jogo original permite”. Uma linha de ideias virou Pokémon Pokopia; outra virou este mobile de magical girls.
O gancho caseiro veio da observação cotidiana: ver a esposa cuidar da lavanderia. No jogo, as Hare Onna (“garotas do tempo bom”) vestem Hare-gi — trajes que dão poderes. A sujeira da luta funciona como HP. Sem lavar e secar, a heroína perde força. Dia de sol = seca rápido. Dia de chuva = espera.

Como o clima real vira gameplay
Abrir o app espelha o céu de fora: se está chovendo na sua cidade, chove no jogo; de noite, o cenário escurece. A tela de estágio parece um mapa do tempo do Japão. Você escolhe a região (até nível de município) cuja previsão combina com a magical girl que quer usar. Não é jogo de GPS: você não precisa andar com o celular.
Nos combates por turnos, o time enfrenta Yamikumo, lixos que viram yokai. A “mão” de cartas de clima reflete o tempo real do lugar escolhido. Relâmpago em Okinawa favorece a garota do trovão. Chuva pede a rain-type. Há também afinidade de fantasia/uniforme (café, ginásio escolar) com o tipo de lixo.

Ohmori descreve ciclos de 5 a 10 minutos, com modo automático para quem está sem tempo, mais de 3.000 eventos regionais e colaboração com JTB (rurubu vira item de buff) e Weathernews.
Quem são as Hare Onna
O elenco inicial gira em torno de Haruwatari Himawari (atributo sol) e da senpai Yuri (nublado), no clube escolar de limpeza urbana. O design de personagens envolve Akiko Minamino (referência em Gakuen Idolmaster). Parceiros mascote chamados Kumorin acompanham as garotas — um deles é obcecado por lavanderia.

Por que isso é notícia de Games (e de Pokémon)
A Game Freak publica o título por conta própria, fora do guarda-chuva Pokémon Company. Ohmori compara o projeto a um “gêmeo” conceitual de Pokémon Pokopia: dois experimentos nascidos no mesmo período pós-Scarlet/Violet. No TGS 2026 a equipe levou até uma “ita-washer” — máquina de lavar estilizada com arte das personagens — e um caminhão decorado.
Opinião da redação: o ângulo que gruda é simples. O diretor de um dos RPG mais vendidos do Switch está apostando que checar a previsão do tempo no celular vira motivo para abrir um jogo de magical girl. Ou é genial, ou é o pitch mais estranho da Game Freak em anos. Provavelmente os dois.
Free-to-play, só Japão (por enquanto)
Ame Nochi Hare Onna nasce como título doméstico. A Game Freak está publicando sozinha e apostou em parcerias locais (Weathernews, JTB, até a linha de eletrodomésticos AQUA na divulgação). Isso explica o recorte geográfico: o mapa, os 3.000 eventos e o discurso de “santuário de viagem” fazem mais sentido dentro do Japão.
Para o jogador brasileiro, a notícia agora é de radar, não de pré-venda. Se houver versão global, deve vir com outro anúncio. Até lá, o que importa é o sinal criativo: a mesma casa de Pokémon está testando um mobile que mistura rotina real, lavanderia e combate por turnos.
O que a entrevista da Famitsu acrescentou
Além do gancho da lavanderia, Ohmori detalhou que o núcleo do game design foi fechado por um time pequeno no começo, que a trilha de “Hare” (sol, festa, limpeza, oharai) amarra o fantástico ao cotidiano japonês, e que o objetivo emocional é claro: fazer o jogador sorrir num dia chuvoso. Ele também ligou o projeto à Chrono Gate, parceira de desenvolvimento com gente que já saiu da própria Game Freak.
Nada disso muda a ficha técnica básica — clima real, roupa como HP, free-to-play no inverno japonês — mas mostra que o jogo não é um protótipo jogado no colo. É um experimento editorial da empresa, com cara de produto longo. No TGS, a “ita-washer” e o caminhão decorado já tinham deixado claro que a campanha quer memes e fila, não só trailer sério.
O que falta saber
Lançamento: inverno no calendário japonês (dezembro–fevereiro), só Japão por enquanto. Monetização free-to-play ainda sem tabela pública de gacha. Ocidente: sem anúncio. Enquanto isso, dá para matar a curiosidade com nosso texto de lendas de Pokémon Red/Blue, as cartas milionárias e a lista de lançamentos de Games de outubro.
Fontes: Famitsu (entrevista Ohmori), Famitsu (anúncio), Vice. Conferido em 13/10/2026.






