Os quadrinhos nacionais mais premiados e indicados para começar são Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá, Cumbe e Angola Janga, de Marcelo D’Salete, Jeremias: Pele e Turma da Mônica: Laços. Tem HQ brasileira vencedora do Eisner, o maior prêmio dos quadrinhos nos Estados Unidos, e do Jabuti, o mais tradicional do livro no Brasil. A lista abaixo junta dez títulos para todos os gostos.
Muita gente aprendeu a ler com gibi da Mônica. A banca da esquina, o gibi enrolado no bolso, a troca na saída da escola, a briga para saber se o Cebolinha ia finalmente pegar o Sansão. Só que muita gente parou ali, achando que quadrinho brasileiro era só isso. Não é, e nunca foi.
1. Daytripper (2010) — Fábio Moon e Gabriel Bá

Brás de Oliva Domingos escreve obituários num jornal de São Paulo. Em cada capítulo, ele morre, em idades diferentes da vida. A cada morte, a história mostra o que ele viveu até ali e o que poderia ter vivido. Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá lançaram Daytripper pela Vertigo, selo da DC, em 2010, e a série ganhou o Eisner de 2011.
Por que ler: é uma das HQs mais bonitas que você vai ler, sobre o que faz uma vida valer a pena. E se passa num Brasil que você reconhece.
2. Turma da Mônica: Laços (2013) — Vitor e Lu Cafaggi
O Floquinho sumiu, e Cebolinha monta um plano infalível de verdade para encontrá-lo, com Mônica, Cascão e Magali. Laços faz parte da linha Graphic MSP, em que outros artistas reinterpretam os personagens de Mauricio de Sousa com o próprio estilo. Virou filme em 2019 e emocionou adulto que achava que já tinha passado da idade.
Por que ler: é a Turma da Mônica que cresceu junto com você. A amizade das quatro crianças nunca foi tão bonita.
3. Astronauta: Magnetar (2012) — Danilo Beyruth
A primeira Graphic MSP. O Astronauta, aquele personagem solitário do espaço, enfrenta um acidente perto de uma estrela de nêutrons e precisa lidar com o isolamento e com as próprias escolhas. É ficção científica séria, com um personagem que muitos achavam “secundário”.
Por que ler: mostra que a Graphic MSP podia ir para lugares que ninguém esperava.
4. Bando de Dois (2010) — Danilo Beyruth
Faroeste no sertão: dois cangaceiros sobreviventes de uma emboscada partem para recuperar as cabeças dos companheiros mortos. Violento, seco e com cara de filme de Sergio Leone.
Por que ler: é o cangaço contado como épico de ação, coisa que o cinema nacional raramente fez.
5. Cumbe (2014) — Marcelo D’Salete
Histórias curtas sobre a resistência de pessoas escravizadas no Brasil colonial. O traço de D’Salete, cheio de sombras e silêncio, deixa tudo mais forte. A edição americana, com o título Run for It, ganhou o Eisner de 2018.
Por que ler: é história do Brasil que a escola muitas vezes não contou, em quadrinhos de nível mundial.
6. Angola Janga (2017) — Marcelo D’Salete
A história do Quilombo dos Palmares, construída ao longo de mais de uma década de pesquisa. É grande, densa e emocionante. Ganhou o Prêmio Jabuti de 2018 na categoria de histórias em quadrinhos.
Por que ler: é talvez a HQ brasileira mais ambiciosa da última década.
7. Jeremias: Pele (2018) — Rafael Calça e Jefferson Costa
Outra Graphic MSP, agora com Jeremias, um dos primeiros personagens negros da Turma da Mônica. A história fala de racismo na infância, de um jeito que crianças e adultos entendem. Ganhou o Jabuti de 2019.
Por que ler: pega um personagem que muitos leitores mal notavam no gibi e o coloca no centro, onde ele sempre mereceu estar.
8. Castanha do Pará (2016) — Gidalti Jr.
Um garoto-urubu vive pelas ruas e pelo mercado Ver-o-Peso, em Belém. A HQ ganhou o Jabuti de 2017, o primeiro ano em que o prêmio teve categoria para quadrinhos.
Por que ler: é uma Belém de verdade, com cores e cheiros, contada como fábula.
9. Morro da Favela (2011) — André Diniz
A vida do fotógrafo Maurício Hora, que cresceu no Morro da Providência, no Rio, e passou a fotografar a comunidade. É uma HQ sobre olhar para a favela de dentro.
Por que ler: foge do clichê e mostra a favela pelos olhos de quem é de lá.
10. Dois Irmãos (2015) — Fábio Moon e Gabriel Bá
Os gêmeos de Daytripper adaptam o romance de Milton Hatoum sobre dois irmãos gêmeos que se odeiam, em Manaus. Gêmeos desenhando gêmeos: a escolha não foi por acaso.
Por que ler: é a prova de que literatura brasileira e quadrinho combinam muito bem.
E a Mônica clássica?
Ela merece um parágrafo próprio. Mauricio de Sousa publica quadrinhos desde 1959 e criou um dos maiores fenômenos editoriais do país. Para muita gente, o primeiro contato com a leitura foi um gibi da Turma. Não existe vergonha nenhuma em voltar a ler: os gibis continuam nas bancas, e a linha Graphic MSP deu à turma histórias para todas as idades.
Opinião: por onde começar
Se você só vai ler uma: Daytripper. Se quer algo para dividir com uma criança: Laços. Se quer entender o Brasil: Angola Janga. E se a sua lista de leitura já está cheia de super-herói gringo, abra espaço. Quadrinho brasileiro é premiado lá fora e merece ser lido aqui dentro.
Para continuar lendo
Se você também quer se aventurar pelos quadrinhos americanos, veja por onde começar a ler HQ da Marvel. E se você gosta de histórias que deram o que falar, conheça a votação que decidiu a morte de Robin nos anos 80.






