A BioWare, estúdio canadense que criou Mass Effect e Dragon Age, vai fechar as portas. A Electronic Arts anunciou na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, que encerra o estúdio e o escritório de Edmonton, no Canadá, e que o próximo Mass Effect, ainda no começo da produção, foi cancelado. A decisão faz parte de uma reestruturação que corta cerca de 3% dos funcionários da EA, algo perto de 400 pessoas.
Para quem cresceu escolhendo quem salvar em Virmire ou com quem viver um romance a bordo da Normandy, a notícia dói. Mas ela não chega de surpresa. A BioWare que fecha agora é muito menor do que a que fez a trilogia de Shepard: tinha menos de 100 funcionários, segundo a Bloomberg, e vinha encolhendo desde 2023. O que acabou ontem foi uma longa queda, e vale olhar para ela com calma.
Resumo rápido: a EA vai fechar a BioWare e o escritório de Edmonton, e o próximo Mass Effect foi cancelado. O estúdio tinha menos de 100 funcionários. Os jogos que já saíram continuam à venda: na Steam, em 22/10, Mass Effect Legendary Edition e Dragon Age: The Veilguard custavam R$ 249,00 cada. As marcas Mass Effect e Dragon Age continuam sendo da EA, que não disse se elas voltam com outro estúdio. No mesmo comunicado, a EA confirmou Marvel’s Iron Man, o próximo Star Wars Jedi, a volta de Fight Night e um projeto conjunto da Respawn com a DICE.
O que a EA anunciou sobre a BioWare
O anúncio veio num memorando aos funcionários assinado por Cam Weber, presidente de estúdios, e David Tinson, diretor de operações, publicado depois no site da empresa. A explicação é direta: a EA quer trabalhar em “menos projetos de grande porte ao mesmo tempo” no gênero de ação e aventura. Dentro dessa conta, a pequena equipe que fazia o novo Mass Effect deixou de fazer sentido para a empresa.
“A BioWare é um estúdio lendário que ajudou a definir o gênero de RPG, e não tomamos essa decisão de forma leve”, diz o texto. A própria BioWare se despediu nas redes sociais com uma lista que resume a história dela: Baldur’s Gate, Neverwinter Nights, Star Wars: Knights of the Old Republic, Dragon Age, Mass Effect e Anthem. “Esses jogos se tornaram muito mais porque vocês os jogaram, discutiram suas escolhas, se apaixonaram pelos personagens e fizeram desses mundos os seus”, escreveu o estúdio.
O fechamento da BioWare não foi o único corte do dia. A EA também confirmou:
| O que foi anunciado | Situação |
|---|---|
| BioWare e o novo Mass Effect | Estúdio fechado, jogo cancelado |
| Project Lotus (novo The Sims) | Pausado; o foco passa para o Project Evergreen |
| skate. (Full Circle) | Continua no ar, com uma equipe menor |
| Respawn e DICE | Vão trabalhar juntas num projeto; a Variety diz que é Star Wars: Battlefront 3 |
| Marvel’s Iron Man e o próximo Star Wars Jedi | Continuam em produção |
| Fight Night | Volta depois de 15 anos, em pré-produção |
| Project Gridiron | Novo jogo de futebol americano de mundo aberto |
A ligação com o Battlefront 3 vem de fontes ouvidas pela Variety. A EA, no memorando, só falou em “um projeto futuro” das duas equipes.
De Baldur’s Gate a Mass Effect: por que a BioWare importa
A BioWare foi fundada em 1995, em Edmonton, por três médicos, Ray Muzyka, Greg Zeschuk e Augustine Yip. O primeiro grande sucesso veio em 1998, com Baldur’s Gate, que levou as regras de Dungeons & Dragons para o PC com uma história que reagia às escolhas do jogador. Daí em diante, o estúdio criou uma fórmula própria.

Em 2003, Star Wars: Knights of the Old Republic mostrou que essa fórmula funcionava também nos consoles. O jogo se passa milhares de anos antes dos filmes, deixa o jogador seguir o lado da luz ou o lado sombrio e guarda uma das reviravoltas mais conhecidas da história dos games. Até hoje ele é citado como um dos melhores jogos de Star Wars já feitos.
A fórmula da BioWare tinha três peças, e elas aparecem em quase todos os jogos do estúdio:
- Companheiros com vida própria: os aliados tinham opiniões, discordavam do jogador e às vezes iam embora.
- Escolhas que pesam: decisões morais mudavam quem sobrevivia e como o mundo reagia.
- Romances: relacionamentos que se construíam ao longo da campanha, inclusive entre pessoas do mesmo gênero, algo raro nos jogos grandes da época.

A trilogia Mass Effect (2007 a 2012) levou isso ao limite. As decisões de um jogo passavam para o seguinte pelo arquivo salvo, e a missão final de Mass Effect 2 podia matar qualquer membro da equipe, inclusive Shepard. Poucas séries confiaram tanto no jogador. A EA comprou a BioWare em 2007, bem nessa fase, e por alguns anos a parceria funcionou.
A influência também ajudou outros estúdios. Michał Nowakowski, da CD Projekt, lembrou nesta quarta que a BioWare cedeu o motor gráfico usado no primeiro The Witcher. “Muito triste pelas pessoas afetadas, mas também triste por ver uma marca lendária acabar”, escreveu. A mesma CD Projekt que acabou de lançar a atualização 2.5 de Cyberpunk 2077 começou, em parte, com uma ajuda de Edmonton.
Como a BioWare chegou a esse ponto
A queda tem datas, e cada uma tirou um pouco da confiança da EA no estúdio:
- 2017, Mass Effect: Andromeda. A tentativa de recomeçar a série numa nova galáxia saiu com animações faciais criticadas e problemas técnicos. A série ficou parada depois disso.
- 2019, Anthem. A EA quis um jogo de serviço, com loot e partidas online, e a BioWare tentou fazer algo fora da sua especialidade. O jogo decepcionou, o plano de “reinventá-lo” foi abandonado em 2021, e os servidores foram desligados em 12 de janeiro de 2026. Como Anthem só funcionava online, ele não pode mais ser jogado.
- 2024, Dragon Age: The Veilguard. Depois de anos de produção, o jogo alcançou 1,5 milhão de jogadores nos dois primeiros meses, quase metade do que a EA esperava. Em janeiro de 2025, a BioWare passou a se dedicar só ao novo Mass Effect, com uma equipe reduzida.
- 2026, o fechamento. Em agosto, a EA foi comprada por um grupo formado pelo fundo soberano da Arábia Saudita (PIF), pela Silver Lake e pela Affinity Partners, por US$ 55 bilhões, na maior compra alavancada da história. Segundo a BBC, a EA assumiu US$ 20 bilhões em dívidas nesse negócio. Dois meses e meio depois, veio o corte.

Em nossa avaliação, a lição mais clara dessa história é o custo de pedir a um estúdio que deixe de fazer aquilo em que é bom. Anthem não foi o primeiro jogo da BioWare a ter problemas, mas foi o primeiro em que o estúdio teve de abrir mão das três peças que o definiam. Quando voltou para o RPG com The Veilguard, a confiança dos fãs já estava menor, e o próprio jogo foi criticado por ter escolhas menos marcantes do que os anteriores.
Também é justo dizer que a compra bilionária pesou. Analistas ouvidos pela GameSpot já previam cortes para pagar a dívida, e um estúdio pequeno, com um jogo ainda longe de sair e dois fracassos seguidos, era o alvo mais fácil. Não dá para afirmar que o novo Mass Effect seria bom ou ruim, já que ninguém fora da EA viu o jogo. O que dá para dizer é que ele nem vai ter a chance de tentar.

O que acontece agora com Mass Effect e Dragon Age
O fechamento do estúdio não acaba com as marcas. Mass Effect e Dragon Age pertencem à EA, que pode, em teoria, entregá-las a outra equipe no futuro. Por enquanto, a empresa não disse nada sobre isso, e o memorando deixa claro que o foco está em outros jogos.
Na prática, isso quer dizer o seguinte:
- Os jogos antigos continuam disponíveis. Mass Effect Legendary Edition, os quatro Dragon Age e Andromeda seguem à venda nas lojas digitais. Nada foi anunciado sobre retirada.
- O novo Mass Effect não existe mais. O projeto apareceu num teaser na The Game Awards de 2020, com Liara T’Soni encontrando um pedaço da armadura N7, e vinha ganhando pequenas pistas a cada N7 Day, comemorado em 7 de novembro. Este ano, a data vai ser uma despedida.
- KOTOR não depende da BioWare. A marca Star Wars é da Lucasfilm. O remake de Knights of the Old Republic, anunciado em 2021, é de outra empresa e não foi citado pela EA.

A dúvida que fica é se o tipo de jogo que a BioWare ajudou a criar ainda tem lugar nas grandes empresas. Os sinais são misturados. O maior RPG dos últimos anos, Baldur’s Gate 3, da Larian, usa justamente a marca que lançou a BioWare e é cheio de companheiros, romances e escolhas, o que mostra que o público continua querendo isso. A diferença é que a Larian tem o controle do próprio estúdio e trabalhou no seu ritmo. A BioWare nunca mais teve essa liberdade.
Vale a pena jogar a BioWare agora?
Sim, e a trilogia Mass Effect é o melhor ponto de partida. A Legendary Edition junta os três jogos com gráficos melhorados e quase todos os conteúdos extras, e as escolhas passam de um jogo para o outro, como na época. São cerca de 100 horas que ainda funcionam muito bem, principalmente a partir do segundo jogo.
Para quem prefere fantasia, Dragon Age: Origins (2009) é o Dragon Age que mais lembra o Baldur’s Gate clássico, com combate tático e escolhas difíceis. E Knights of the Old Republic continua o melhor jeito de ver o que a BioWare fazia com Star Wars, mesmo com a cara de jogo de 2003.
Perguntas frequentes sobre o fechamento da BioWare
A BioWare vai fechar mesmo?
Sim. A EA anunciou em 21 de outubro de 2026 que vai fechar o estúdio e o escritório de Edmonton, no Canadá. A própria BioWare confirmou nas redes sociais.
O novo Mass Effect foi cancelado?
Foi. O jogo estava no começo da produção, com uma equipe pequena, e a EA decidiu não seguir com ele. Não há outro Mass Effect anunciado.
Por que a EA fechou a BioWare?
A EA diz que quer fazer menos jogos grandes ao mesmo tempo. O estúdio vinha de dois resultados ruins, Anthem (2019) e Dragon Age: The Veilguard (2024), e a empresa fez cortes depois de ser comprada por US$ 55 bilhões, num negócio com muita dívida.
Ainda dá para comprar e jogar Mass Effect e Dragon Age?
Dá. Os jogos continuam à venda nas lojas digitais. Na Steam, em 22 de outubro de 2026, Mass Effect Legendary Edition e Dragon Age: The Veilguard custavam R$ 249,00 cada. A exceção é Anthem, que só funcionava online e saiu do ar em janeiro de 2026.
Quem é dono de Mass Effect e Dragon Age agora?
A EA continua dona das duas marcas. A empresa não anunciou planos de passar as séries para outro estúdio.
Quantas pessoas foram demitidas?
A EA cortou cerca de 3% dos funcionários, perto de 400 pessoas, em vários estúdios. A BioWare tinha menos de 100 funcionários, segundo a Bloomberg.
Mais games no Mundo dos Heróis
O fechamento da BioWare entra numa lista de notícias difíceis da indústria. Veja também os números de Gears of War: E-Day que viraram polêmica e o que traz a atualização 2.5 de Cyberpunk 2077, da CD Projekt. Se você curte mundos com muita história, teste o que sabe no Quiz de lore de World of Warcraft ou no Quiz de lore de League of Legends. Para ver o que ainda chega neste mês, confira os lançamentos de games de outubro e acompanhe a seção Games.
Fontes: Variety: memorando da EA e fechamento da BioWare (21/10/2026), GameSpot: resumo das mudanças na EA (21/10/2026), BBC: BioWare fecha depois de 31 anos (22/10/2026), Edmonton Journal: repercussão em Edmonton (21/10/2026), Blog da BioWare: reestruturação de janeiro de 2025, VGC: Dragon Age: The Veilguard e os 1,5 milhão de jogadores, EA: fim dos servidores de Anthem, Steam: Mass Effect Legendary Edition. Conferido em 22/10/2026.






