A Mulher-Maravilha fez 85 anos nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, e a DC escolheu o dia para anunciar o que vem depois de Tom King. A editora declarou 2027 o Year of Wonder (“Ano da Maravilha”), um ano inteiro de histórias da personagem com equipes criativas que se revezam na revista principal. Quem abre a fila é Louise Simonson, roteirista veterana que nunca tinha escrito a série mensal de Diana, com desenhos de Cian Tormey, a partir de Wonder Woman #41, em 20 de janeiro de 2027.
A data não foi escolhida à toa. Diana estreou em All-Star Comics #8, que chegou às bancas americanas em 21 de outubro de 1941. E a troca de comando acontece num momento delicado: a fase de King e Daniel Sampere, que deu uma filha à heroína e transformou as amazonas em alvo do governo americano, termina em dezembro. O Year of Wonder é, na prática, a resposta da DC para a pergunta “e agora?”.
Resumo rápido: a DC declarou 2027 o Year of Wonder da Mulher-Maravilha. Louise Simonson e Cian Tormey fazem um arco de 4 edições a partir de Wonder Woman #41 (20/01/2027, US$ 4,99), com Lois Lane, Vovó Bondade e as Fúrias Femininas. Depois, Stephanie Williams e Elena Casagrande fazem 6 edições até outubro de 2027, com participação de Núbia. Outras equipes ainda serão anunciadas. A fase de Tom King termina no #40, em 16/12/2026. No Brasil, a Panini publica a revista em Mulher-Maravilha/Flash e está, hoje, na edição americana #27, sem data para o Year of Wonder.
O que a DC anunciou para a Mulher-Maravilha em 2027
O comunicado da DC, publicado no blog oficial da editora, traz duas equipes confirmadas e deixa a porta aberta para outras. A ideia é a mesma que a editora já usou com o Superman em Action Comics há alguns anos: em vez de um único roteirista por três ou quatro anos, arcos fechados assinados por nomes diferentes ao longo de 2027.
| Equipe | Edições | Quando |
|---|---|---|
| Louise Simonson e Cian Tormey | 4 (#41 a #44) | Desde 20/01/2027 |
| Stephanie Williams e Elena Casagrande | 6 | Até out/2027 |
| A anunciar | – | Resto de 2027 |
Wonder Woman #41 tem 32 páginas e custa US$ 4,99 nos EUA (US$ 5,99 nas variantes de papel cartão). A capa principal é de Ryan Sook, e as variantes são de Daniel Sampere, Walter Simonson, Cian Tormey, David Nakayama (em versão foil) e Alexander Lozano.

Repare na capa de Sook: Diana estica o Laço da Verdade de frente para o leitor, com um exército de amazonas atrás dela. Não é só uma pose bonita. A imagem resume o ponto de partida do arco de Simonson, que fala justamente sobre as amazonas voltarem ao mundo dos homens.
Louise Simonson: quem é a roteirista que assume a revista
Para muita gente, o nome de Louise Simonson não diz nada à primeira vista. Os personagens que ela criou dizem muito. Nos anos 1980, na Marvel, ela criou o Power Pack com a desenhista June Brigman e, em X-Factor #6, apresentou o Apocalipse, o mutante imortal que virou um dos maiores vilões dos X-Men, ao lado de Jackson Guice. Também está entre os criadores de Cable e Rictor.
Na DC, a lista é ainda mais curiosa para quem lê o Mundo dos Heróis. Simonson escreveu Superman: The Man of Steel de 1991 a 1999 e foi uma das roteiristas centrais de A Morte do Superman, saga que trouxe o Apocalypse da DC (Doomsday, no original), o monstro que matou o Kal-El. Sim: a mesma roteirista ajudou a criar os dois “Apocalipses” mais famosos dos quadrinhos, um em cada editora. Foi ela também quem criou o Aço (John Henry Irons), um dos quatro “substitutos” que surgiram depois da morte do herói. Se você leu o nosso guia da Morte do Superman, já conhece parte do trabalho dela sem saber.

Três detalhes ajudam a entender por que a escolha faz sentido:
- Ela conhece Lois Lane como poucos. Foram oito anos escrevendo a família do Superman, com Lois no centro. Não é coincidência que o primeiro arco junte Diana e a jornalista, como mostra a variante de Tormey acima.
- Ela já escreveu a Diana, só não na revista mensal. Simonson adaptou para os quadrinhos o romance Mulher-Maravilha: Warbringer, de Leigh Bardugo, e escreveu uma HQ ligada ao filme Mulher-Maravilha 1984, ambas em 2020.
- É um caso de família. Uma das capas variantes do #41 é de Walter Simonson, desenhista lendário de Thor e marido de Louise. Os dois trabalharam juntos em X-Factor nos anos 1980.
Simonson nasceu em 1946 e chega ao título com 80 anos, algo raro numa revista principal de super-herói. Ela mesma brincou com a posição desconfortável no anúncio: disse que se sente “intimidada” por estar “espremida entre a fase brilhante de Tom King e o trabalho de Stephanie Williams”. E resumiu o que dá para esperar: “Juntar Diana com Lois Lane, outra personagem icônica, é um sonho. Acrescente a Vovó Bondade e as Fúrias Femininas? Não tem como ser mais divertido”.
A Lei de Segurança Amazona: o problema que Simonson herda
O primeiro arco do Year of Wonder não começa do zero. Ele parte de uma ideia que Tom King plantou logo no #1 da fase atual, em 2023. Lá, uma amazona mata 19 homens num bar de sinuca em Montana depois de ser assediada. A cobertura da imprensa transforma o caso em pânico nacional, e o Congresso americano aprova a Lei de Segurança Amazona (Amazon Safety Act), que manda todas as amazonas deixarem o país. Uma força-tarefa, a A.X.E., comandada por Sarge Steel, passa a caçá-las.
Diana se recusa a ir embora e vira foragida no país que sempre defendeu. Por trás de tudo está o Soberano, um “rei secreto” dos Estados Unidos que manipula a opinião pública com o Laço das Mentiras.
É exatamente essa lei que a Diana de Simonson quer derrubar. Segundo a sinopse oficial, ela está “determinada a abolir a Lei de Segurança Amazona e abrir caminho para que suas irmãs voltem ao mundo dos homens”. A pergunta que a DC deixa no ar é a mais interessante do anúncio: depois de tudo o que passaram, as amazonas querem voltar? Ou desistiram de salvar a humanidade dela mesma?
Na nossa leitura, esse é o melhor sinal do anúncio. Uma iniciativa de aniversário poderia ser só uma vitrine de capas e histórias soltas. Começar resolvendo o principal conflito deixado pela fase anterior mostra que a DC quer continuidade, e não um recomeço que finge que os últimos três anos não aconteceram.
O fim da fase de Tom King e Daniel Sampere
O Year of Wonder só existe porque a fase atual vai acabar. Wonder Woman #40, de 16 de dezembro de 2026, encerra a saga “Guerra das Maravilhas”, com Diana e a filha, Trinity, defendendo Themyscira da Matriarca e do pai dela, o Soberano.

Trinity (Elizabeth “Lizzie” Prince, filha de Diana e Steve Trevor) é o maior legado de King e Sampere. Ela apareceu pela primeira vez em Wonder Woman #800, em 2023, numa história ambientada num futuro possível em que já tinha herdado o manto da mãe, e depois ganhou espaço em histórias curtas que pulavam entre diferentes idades da menina. A página acima é dessa fase.
King contou ao site AIPT que queria fazer 100 edições e que ficou “desapontado” consigo mesmo por parar em 40. O motivo, segundo ele, é a agenda: hoje ele também trabalha como produtor executivo de Lanterns, a série do Lanterna Verde para a HBO. A recepção da fase foi dividida. Muita gente elogiou a arte de Sampere e a criação de Trinity, e parte dos leitores reclamou do ritmo e do jeito como King tratou a própria Diana. Qualquer que seja o seu lado, o #40 fecha uma história com começo, meio e fim, o que nem sempre acontece nas revistas mensais.
Stephanie Williams e Elena Casagrande: o segundo arco
Depois das quatro edições de Simonson, a revista passa para Stephanie Williams e Elena Casagrande, com um arco de seis edições que vai até outubro de 2027. As duas não são estreantes nesse mundo:
- Stephanie Williams escreveu Nubia & the Amazons e Nubia: Queen of the Amazons, quatro edições da revista da Mulher-Maravilha em 2026 e o especial Wonder Woman 2026 Annual: Wonder War – The Matriarch Special. Também faz a webcomic Warriors and a Wee Wonder, do aplicativo DC GO!.
- Elena Casagrande é a desenhista italiana que ganhou o Eisner pela Viúva Negra escrita por Kelly Thompson.
Williams prometeu uma parceria entre Diana e Núbia, a atual rainha de Themyscira, que ela diz querer contar “há muito tempo”. “Seis edições me dão espaço para realmente ficar com a Diana, deixar que ela seja feroz, engraçada e compassiva ao mesmo tempo”, disse.
Quando o Year of Wonder chega ao Brasil
Aqui vem a parte menos animadora. A Panini publica a fase de Tom King na revista mensal Mulher-Maravilha/Flash, que divide as páginas com a fase do Flash escrita por Simon Spurrier. A edição 15, em pré-venda com envio previsto para a segunda quinzena de novembro de 2026, traz Wonder Woman #27 e custa R$ 19,90. Enquanto o leitor brasileiro recebe o #27 em novembro, o americano lê o #40, o último de King, em dezembro.
A Panini não anunciou nada sobre o Year of Wonder. Se o ritmo de uma edição por mês continuar, o #41 só chegaria às bancas brasileiras bem depois de janeiro de 2027, mas isso é uma conta nossa, não uma data oficial. Quem não quiser esperar tem duas opções: as edições digitais em inglês, que saem no mesmo dia dos EUA, ou a assinatura do DC Universe Infinite, que recebe as edições algum tempo depois do lançamento nas lojas.

Enquanto isso, a outra Mulher-Maravilha da DC já está nas bancas brasileiras. Absolute Mulher-Maravilha, de Kelly Thompson e Hayden Sherman, é a versão do Universo Absolute, em que Diana cresce no Inferno, criada pela feiticeira Circe, e descobre ser uma das últimas amazonas do seu mundo. A Panini já passou da edição 4. Se você gostou do nosso guia de Absolute Batman, é a mesma linha e a mesma proposta: personagens conhecidos, origens diferentes e uma porta de entrada para quem nunca leu a DC.
Dá para ler a Mulher-Maravilha de graça agora
Para o aniversário, a DC liberou seis HQs de graça no DC Universe Infinite, a plataforma digital da editora. O serviço não funciona em todos os países e o conteúdo é em inglês, então vale conferir no site antes. A lista oficial:
- Wonder Woman #1 (2023), de Tom King e Daniel Sampere: o começo da fase que está terminando.
- Wonder Woman #2 (2016), de Greg Rucka e Nicola Scott: parte do arco “Ano Um”, uma das melhores origens modernas da heroína.
- Wonder Woman #226 (2006), de Greg Rucka e Cliff Richards: o fim da primeira passagem de Rucka pela revista.
- Wonder Woman: Steve Trevor Special #1 (2017), de Tim Seeley e Christian Duce.
- Wonder Woman #170 (2001), de Joe Kelly e Phil Jimenez: Lois Lane passa um dia inteiro acompanhando Diana para uma reportagem. É o melhor aquecimento possível para o arco de Simonson.
- Wonder Woman #51 (2018), de Steve Orlando e Laura Braga.

Se for escolher só uma, a nossa sugestão é a de Rucka de 2016. Para quem chega em 2027 sem saber quem é Diana, a origem contada por ele e Nicola Scott é o melhor resumo da personagem: uma amazona curiosa, generosa e muito mais diplomata do que guerreira. Quem preferir começar pela história da heroína tem o nosso texto com curiosidades e dicas de leitura da Mulher-Maravilha, que conta desde a estreia em 1941 até a era de Lynda Carter.
Vale a pena acompanhar o Year of Wonder?
Vale, com uma ressalva. O formato de equipes rotativas é ótimo para quem quer começar a ler: cada arco tem começo e fim, e ninguém precisa ter lido 40 edições de Tom King para entender o que está acontecendo. Também é uma chance rara de ver estilos muito diferentes na mesma personagem no mesmo ano, de uma veterana que viveu os anos 1990 por dentro a uma roteirista que cresceu lendo essas histórias.
A ressalva é que iniciativas assim costumam ser irregulares. Quatro ou seis edições são pouco espaço para mudar uma personagem de verdade, e a DC ainda não disse quem vem depois de outubro. A promessa de um “novo status quo” no arco de Simonson é o que vai dizer se o Year of Wonder é uma festa de aniversário ou o começo de uma nova fase.
Perguntas frequentes sobre o Year of Wonder
O que é o Year of Wonder?
É o nome que a DC deu a 2027, ano dedicado à Mulher-Maravilha. A revista principal da personagem vai ter equipes criativas diferentes ao longo do ano, começando por Louise Simonson e Cian Tormey em Wonder Woman #41.
Quando sai Wonder Woman #41?
Em 20 de janeiro de 2027, nas lojas dos EUA e nas plataformas digitais, por US$ 4,99. A edição tem 32 páginas.
Quem escreve a Mulher-Maravilha depois de Tom King?
Louise Simonson, nas edições #41 a #44. Depois, Stephanie Williams assume um arco de seis edições com a desenhista Elena Casagrande. As equipes seguintes ainda não foram anunciadas.
Quando termina a fase de Tom King na Mulher-Maravilha?
No #40, que sai nos EUA em 16 de dezembro de 2026 e encerra a saga “Guerra das Maravilhas”.
O Year of Wonder vai sair no Brasil?
A Panini publica a revista da Mulher-Maravilha no Brasil, mas ainda não anunciou as edições do Year of Wonder. Hoje, a revista Mulher-Maravilha/Flash está na edição americana #27.
Quantos anos a Mulher-Maravilha faz?
85 anos. Ela estreou em All-Star Comics #8, que chegou às bancas em 21 de outubro de 1941, criada por William Moulton Marston e desenhada por H. G. Peter.
Mais HQ no Mundo dos Heróis
Se você curte a DC, veja como a editora reinventou os heróis no guia da Absolute Justice e confira o nosso ranking das equipes de super-heróis. Na dúvida entre as duas editoras, faça o Quiz Marvel ou DC e descubra seu lado, ou teste o Quiz de qual liga de heróis você entraria. Tem mais no universo DC e na seção HQ.
Fontes: DC: anúncio do Year of Wonder (21/10/2026), DC: doze momentos que definiram a Mulher-Maravilha (21/10/2026), DC: Wonder Woman #40 encerra a Guerra das Maravilhas (18/09/2026), DC: Wonder Woman #1 e a Lei de Segurança Amazona (2023), AIPT: entrevista com Tom King sobre o fim da fase (18/09/2026), The Beat: Year of Wonder (21/10/2026), Panini: Mulher-Maravilha/Flash (2025) 15, Panini: Absolute Mulher-Maravilha 04. Conferido em 22/10/2026.










