A Marvel apagou as luzes, e os leitores correram para o escuro. O Midnight Universe, a nova linha de terror da editora, estreou em 7 de outubro com três números 1: Midnight X-Men, Midnight Spider-Man e Midnight Fantastic Four. Foram as únicas HQs novas da Marvel naquela semana. Antes mesmo de chegar às lojas, as três somavam mais de 1 milhão de pedidos e já tinham segunda tiragem marcada, segundo o AIPT. Depois, nas lojas, Midnight Spider-Man #1 vendeu cerca de três vezes mais que Batman, segundo a lista do Bleeding Cool.
Mas qual das três vale mais a pena? Fizemos o ranking. Ele leva em conta a premissa, o time criativo e o que os autores já revelaram, e não é análise página a página.
Resumo rápido: são três HQs de terror num universo separado do principal da Marvel. X-Men tem mutantes vampiros, Spider-Man transforma Peter em monstro e o Quarteto tem poderes que funcionam como maldição. Na lista de vendas do Bleeding Cool, as três ficaram em 1º, 2º e 3º, muito à frente do Batman. Ganham segunda tiragem com capa revelada em 28 de outubro. Nosso ranking: 3º Quarteto Fantástico, 2º Homem-Aranha, 1º X-Men.
Os números que deixaram a DC olhando para trás
A lista semanal do Bleeding Cool usa vendas reais de 120 a 150 lojas de quadrinhos, a maioria na América do Norte e no Reino Unido, com dados do serviço ComicHub. Nela, o mais vendido vale 100 e os outros aparecem em proporção:
- 1º Midnight Spider-Man #1: 100
- 2º Midnight X-Men #1: 92,2
- 3º Midnight Fantastic Four #1: 73,0
- 4º Batman #14: 36,6
- 6º Absolute Superman #24: 25,4
Ou seja, o Aranha vendeu quase três vezes o Batman do mês e quatro vezes o Absolute Superman. Tem um porém que deixa a briga mais polêmica. Na fase de pedidos antecipados, segundo números do Bleeding Cool citados pelo ComicBookCo, uma única edição, Absolute Batman #24, teve cerca de 500 mil pedidos, quase metade das três estreias da Marvel somadas. Na prateleira, porém, quem dominou a semana foi a Marvel.
Outro detalhe que virou assunto: as capas principais são “encobertas” (as Cloaked Covers). Parte da arte fica escondida, e o desenho completo só aparece quando você vira a página. Na segunda tiragem, a capa já vem revelada.

3º lugar: Midnight Fantastic Four
Benjamin Percy (roteiro) e Kev Walker (arte). O Quarteto deixa de ser a família feliz de mãos dadas e vira um grupo de pessoas assombradas e marcadas. Reed Richards é obcecado em abrir um portal para a Zona Negativa e acaba cruzando o caminho de Sue Storm, outra cientista interessada nessa dimensão. Em entrevista ao Marvel.com, Percy diz que, no começo, Reed não conhece Sue, Ben e Johnny. E quando os poderes chegarem, vão ser aflições de horror corporal, “mais parecidas com maldições”.
No anúncio da linha, Percy brincou: “Em qualquer outra circunstância, a Marvel não me deixaria escrever o Quarteto Fantástico. Porque eu sou cruel e malvado demais para a primeira família.” Tem ainda uma pegadinha no número 1: o assistente de Reed, chamado Victor, morre num acidente de laboratório, e ele é filho do Doutor Destino. Isso coloca Reed na mira.
Por que ficou em 3º: a ideia é ótima, com terror cósmico no estilo de Lovecraft e poderes como castigo. Mas é a que mais depende do que ainda não aconteceu, porque o Quarteto nem está formado. Também foi a que menos vendeu das três, e mesmo assim vendeu o dobro do Batman.

2º lugar: Midnight Spider-Man
Phillip Kennedy Johnson (roteiro) e ScieTronc (arte). Aqui, Peter Parker não é só um estudante. Ele é um ativista de ciência na internet que expõe os segredos sujos das empresas de tecnologia. Quando aceita um emprego na Oscorp para tentar mudá-la por dentro, um acidente o transforma em algo monstruoso. O lema muda de “grandes poderes, grandes responsabilidades” para “o poder cria monstros”.
Johnson contou ao Marvel.com que só não mexeria em duas coisas: o caráter moral de Peter e a culpa por trás da origem dele. Uma das primeiras coisas que saíram foi o humor piadista do herói, que ficava fora de lugar com tanto horror. E os vilões viram predadores, não ameaças. A referência que ele deu no anúncio diz tudo: quer um Homem-Aranha “concebido por H.R. Giger, dirigido por David Cronenberg e adaptado para os quadrinhos por Junji Ito”.
Por que ficou em 2º: é a mais corajosa, porque mexe no herói mais querido da Marvel, e foi a mais vendida da semana. Só não leva o ouro porque “herói vira monstro e luta contra a própria natureza” é um caminho que o Aranha já visitou outras vezes, de outro jeito. A diferença agora é o tom de terror corporal, e é isso que pode fazer a série ser lembrada.

1º lugar: Midnight X-Men
Jonathan Hickman (roteiro) e Matteo Della Fonte (arte). Se tem um nome que faz fã de X-Men parar tudo, é Hickman, o autor da fase de Krakoa. E ele mesmo disse no anúncio: “Não fico tão animado com uma revista há muito tempo.” A premissa: além dos vampiros, existem vampiros mutantes, os Empyres. Entre as facções vale um pacto frágil, repetido ao longo do número 1: “a paz precisa se manter”. Hickman compara o conflito do passado à Crise dos Mísseis de Cuba: “o dia em que o mundo quase acabou”, seguido de uma longa noite de Guerra Fria.
A história começa no meio da ação e anda entre passado, presente e futuro. Personagens como Noturno e William Stryker têm cargos oficiais na Igreja, o que é uma ironia deliciosa para quem conhece Deus Ama, o Homem Mata. E a Tempestade da capa, segundo Hickman, é uma piscadela para a história antiga dos X-Men antes de seguir por um caminho novo e maluco.
Por que ficou em 1º: tem o autor mais aguardado, o mundo mais bem construído e um mistério político por trás do terror, o que dá fôlego para muitas edições. Ficou só um pouco atrás do Aranha nas vendas, mas é a que mais gera teoria entre os fãs.
Opinião da redação: o Midnight Universe acertou em não ser “mais um universo alternativo”. Cada série escolheu um tipo de terror: político nos X-Men, corporal no Aranha e cósmico no Quarteto. Se a Marvel mantiver isso e não transformar a linha num crossover gigante logo de cara, pode ter achado o seu “Absolute”. A prova real vem nos números 2 e 3.
O que falta saber
- Edição brasileira: a Panini publica a Marvel no Brasil, mas até agora não há anúncio oficial do Midnight por aqui.
- Quantas edições cada série terá: a Marvel não confirmou.
- Segunda tiragem: sai em 28 de outubro, com as capas reveladas de Dike Ruan (X-Men), Steve Beach (Aranha) e Kev Walker (Quarteto).
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Fontes: Marvel.com (anúncio), Marvel.com (entrevista com os autores), Bleeding Cool, AIPT, ComicBookCo. Conferido em 14/10/2026.






